Comércio tem queda

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Comércio tem queda de 2,2% no semestre, o pior resultado em 12 anos

BRUNO VILLAS BÔAS

Menor folga no orçamento das famílias, oferta mais restrita de crédito, desânimo do consumidor. Essa combinação desfavorável levou o varejo brasileiro a ter seu pior primeiro semestre em 12 anos.

De janeiro a junho, as vendas do comércio varejista tiveram queda de 2,2% na comparação ao mesmo período do ano passado. É o pior resultado desde o primeiro semestre de 2003 (5,7%). Os dados foram divulgados pelo IBGE na manhã desta quarta-feira (12).

Naquele ano, o varejo ainda refletia as incertezas de um primeiro governo Lula. A inflação pressionou os preços e levou as famílias a cortar parte do consumo, especialmente de supérfluos.

Os valores ficam em linha com a expectativa da agência internacional Bloomberg, que previam queda de 0,4% nas vendas em junho comparadas com as de maio e de 2,9% em junho comparado com o mesmo mês do ano anterior.

Na passagem de maio para junho, as vendas do varejo tiveram queda de 0,4% pela série com ajuste sazonal, que “corrige” as diferenças de cada mês, como o número de dias úteis. Foi a quinta queda consecutiva, na maior sequência desde 2000.

Na comparação ao mesmo mês do ano passado, as perdas das vendas foram mais intensas, de 2,7%.

Os economistas consultados pelo Valor Data previam uma queda de 0,3% na comparação a maio deste ano e de 4,6% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Em 12 meses, as vendas encolhem 0,8%. É o pior resultado desde o período encerrado em fevereiro de 2004 (-2,4%), pouco antes de entrar numa sequência de 133 meses de alta nessa base de comparação.

SETORES

Os setores que mais dependem da oferta de crédito foram os mais afetados. O crédito, que está mais restrito, é uma parte importante do poder de compra das famílias brasileiras.

O segmento de móveis e eletrodomésticos tiveram assim uma queda de 11,3% no primeiro semestre deste ano, frente ao mesmo período do ano passado. Foi o pior resultado do setor desde o primeiro semestre de 2003 (-10,3%).

Já o segundo maior impacto veio do segmento de supermercados, hipermercados, alimentos, bebidas e fumo, que representa quase 40% da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).

O setor de supermercados apresentou queda nas vendas de 1,8% no acumulado deste ano. O segmento é impactado, sobretudo, pelo aumento dos preços, o que corrói o poder compra das famílias brasileiras.

Tecidos, vestuários e calçados, outro setor relevante para as vendas do varejo, acumularam uma queda de 5% de janeiro a junho deste ano, informou o IBGE.

O mau momento do setor de vestuário vem sendo percebido na temporada de balanços das empresas do setor referente ao segundo trimestre.

A varejista Marisa Lojas teve prejuízo líquido de R$ 20,3 milhões. Na Hering, os estoques chegaram a acumular 130 dias, frente a uma média de 80 dias.

VAREJO AMPLIADO

O IBGE também calcula as vendas do comércio varejista ampliado, que inclui dois setores que tem parte de suas vendas no atacado: o automotivo e de construção civil.

Pelo varejo ampliado, a queda foi de 0,8% na passagem de maio para junho. Frente ao mesmo período do ano passado, o setor teve uma queda ainda maior, de 3,5%.

Com isso, as vendas do comércio varejista ampliado fecharam o primeiro semestre com baixa de 6,4%. Em 12 meses, recua 4,8%.

O setor automotivo é um dos que mais sofrem com a queda de vendas e estoques altos. As montadores têm enfrentado o momento com férias coletivas, suspensão de contratos de trabalho e mesmo demissões.

A queda das vendas do varejo deve afetar o resultado do consumo das famílias no PIB (Produto Interno Bruto), a ser divulgado pelo IBGE no próximo dia 28.

Na visão dos economistas, os próximos meses tendem a ser meses difíceis para o setor, especialmente quando se olha para datas comemorativas.

O comércio se queixa que as vendas do Dia dos Pais, entre julho e agosto, foram ruins. Segundo a FecomércioSP, a queda foi de 4,5% frente ao ano passado.

Outras datas consideradas importantes para as vendas do setor também decepcionaram neste ano, como Dia das Mães, a Páscoa e o Dia dos Namorados.

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